A disparada do dólar é o assunto que tomou conta do mercado financeiro depois do primeiro pregão da B3 seguinte à reeleição do presidente Lula. Na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, a moeda americana chegou a subir mais de 12% e tocar a marca de R$ 5,60 durante o dia, fechando com valorização de 8,21%, cotada a R$ 5,40, segundo noticiou o InvestNews. O movimento pegou quem compra no exterior de surpresa e reabriu a conversa sobre o custo real de importar justamente na reta final do ano.
A combinação de bolsa em queda livre, acionamento do circuit breaker da B3 e dólar disparado mostra como a percepção política influencia direto o bolso de quem compra fora do Brasil. Para quem já tinha pedidos internacionais programados ou pretende aproveitar as promoções de novembro, entender esse cenário é essencial antes de fechar qualquer compra em moeda estrangeira.
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Disparada do Dólar: o Que Aconteceu na Bolsa e no Câmbio

Logo na abertura do pregão, a B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que paralisa temporariamente as negociações em momentos de altíssima volatilidade. O gatilho foi disparado após o Ibovespa cair 10% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior, e as negociações ficaram suspensas por 30 minutos.
Na retomada, o índice chegou a cair mais de 17% ao longo do dia. A queda foi amenizada nas horas seguintes e o Ibovespa fechou em baixa de 13,88%, aos 176.608 pontos. Foi a primeira ativação do circuit breaker desde a pandemia, em março de 2020.
O resultado eleitoral surpreendeu boa parte do mercado, que apostava na vitória do candidato de oposição e em um ajuste fiscal mais rígido. Lula venceu o segundo turno por cerca de 3,5 pontos percentuais, o equivalente a quase 4,4 milhões de votos, enquanto as pesquisas indicavam vantagem do adversário.
No câmbio, o reflexo foi imediato. O dólar chegou a subir mais de 12% intradia, tocando R$ 5,60, e fechou o dia valorizado em 8,21%, a R$ 5,40. Antes da eleição, a moeda era negociada abaixo de R$ 5,00.
Disparada do Dólar e o Custo das Compras Internacionais

A disparada do dólar significa, na prática, que qualquer compra feita em sites internacionais ou por redirecionador passa a custar mais reais pela mesma quantia em dólares. Isso vale tanto para o preço do produto quanto para o frete internacional, que costuma ser cobrado na moeda de origem.
A conversão para o cálculo do Imposto de Importação em compras internacionais usa a cotação da data da compra em lojas habilitadas no programa Remessa Conforme, e não mais a cotação do dia do desembaraço aduaneiro. Isso significa que uma compra fechada num dia de dólar alto já nasce com imposto calculado sobre esse valor mais caro.
Quem paga em cartão de crédito internacional sente o efeito em dobro: a cotação usada pela bandeira do cartão costuma ser a do dia da compra, acrescida de IOF, então uma alta repentina do dólar já aparece na fatura seguinte sem aviso prévio.
Exemplo Prático: Quanto Fica uma Compra de US$ 200
A tabela abaixo mostra como a mesma compra de US$ 200 varia em reais conforme a cotação do dólar, sem considerar ainda impostos de importação.
| Cotação do dólar | Valor em reais (US$ 200) | Variação frente a R$ 5,00 |
|---|---|---|
| R$ 5,00 | R$ 1.000,00 | – |
| R$ 5,40 (fechamento de 26/10) | R$ 1.080,00 | + R$ 80,00 |
| R$ 5,60 (máxima intradia) | R$ 1.120,00 | + R$ 120,00 |
A diferença de apenas alguns centavos na cotação, multiplicada por uma compra grande, já representa dezenas ou centenas de reais a mais saindo do bolso. Em compras parceladas ou recorrentes, o efeito se acumula mês após mês.
O Que Esperar do Dólar nos Próximos Meses
As projeções para o câmbio mudaram rapidamente após o resultado da eleição. Antes do pleito, o Boletim Focus do Banco Central, divulgado em 26 de outubro, trazia projeção de R$ 5,05 para o fim de 2026, mas a pesquisa foi coletada antes do pregão que derrubou a bolsa e disparou o dólar.
Casas de análise já revisaram os números para cima. A gestora ASA passou a projetar o dólar em R$ 5,50 no fim de 2026 e R$ 5,70 no fim de 2027. O banco americano Morgan Stanley estima R$ 5,60, com potencial para superar R$ 6,00 caso o cenário fiscal se deteriore e volte a crescer o risco de dominância fiscal.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central também teve reunião marcada para os dias 3 e 4 de novembro, justamente na semana seguinte ao choque eleitoral, com decisão sobre a taxa Selic que tende a considerar a nova volatilidade do câmbio.
Como se Proteger da Alta do Dólar ao Importar

O primeiro passo é acompanhar a cotação do dólar antes de finalizar qualquer compra, de preferência no próprio dia do pagamento. Pequenas variações ao longo da semana podem representar economia real quando o valor da compra é alto.
Consolidar compras em um único pedido também ajuda a diluir custos fixos de frete e reduzir o número de vezes que você fica exposto à variação cambial. Usar um redirecionador confiável, como a USCloser, permite reunir vários itens em um único envio internacional, o que reduz a quantidade de conversões de moeda necessárias.
Evitar compras por impulso em dias de forte volatilidade também é uma forma de proteção. Em cenários como o de 26 de outubro, com o dólar variando mais de 12% em poucas horas, esperar a poeira baixar antes de fechar um pedido grande pode evitar pagar caro demais.
Por fim, vale comparar o custo total em reais antes de decidir entre pagar no cartão de crédito internacional ou via conta em dólar, já que taxas de câmbio e IOF variam conforme o meio de pagamento escolhido.
Conclusão
O salto do dólar após a reeleição de Lula é um lembrete de que o câmbio pode mudar rapidamente por motivos que nada têm a ver com o produto que você está comprando. Quem importa de forma recorrente precisa monitorar esse cenário de perto nas próximas semanas.
Com Black Friday e Natal se aproximando, faz sentido planejar compras com antecedência, acompanhar a cotação diária e considerar ferramentas que ajudem a reduzir custos, como a consolidação de pedidos por redirecionador. Assim fica mais fácil aproveitar boas oportunidades sem ser pego de surpresa por uma alta repentina do dólar.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre a Disparada do Dólar
Por que o dólar subiu tanto depois da eleição?
O mercado financeiro havia precificado a vitória do candidato de oposição, associada a um ajuste fiscal mais rígido. Com a reeleição de Lula, investidores reavaliaram o risco fiscal do país de uma só vez, o que provocou fuga para o dólar e queda forte da bolsa.
O imposto de importação também aumenta quando o dólar sobe?
Sim. Como o imposto é calculado sobre o valor da compra convertido para reais na cotação do dia da transação em lojas habilitadas, uma alta do dólar eleva automaticamente a base de cálculo e, por consequência, o valor do imposto a pagar.
Vale a pena cancelar compras já feitas por causa da alta do dólar?
Normalmente não é possível nem vantajoso. Compras já processadas costumam ter a cotação travada no momento do pagamento. O foco deve ser nas próximas compras, avaliando o momento certo para fechar o pedido.
O dólar deve continuar subindo nas próximas semanas?
Não há garantia. Casas como ASA e Morgan Stanley revisaram as projeções para cima após a eleição, mas o mercado pode se acalmar ao longo dos próximos pregões conforme o governo sinalize rumo à política econômica. Vale acompanhar a cotação diariamente antes de decidir.


















