Erro na Importação. Iniciar no mundo da importação pode parecer uma grande oportunidade, e realmente é. Produtos com preços mais atrativos, acesso a marcas internacionais, variedade de fornecedores… tudo isso atrai desde consumidores até empreendedores que desejam revender. No entanto, é justamente nesse momento inicial que ocorrem os erros mais comuns ao começar a importar.
Neste artigo, vamos destacar os principais equívocos cometidos por iniciantes e mostrar como evitá-los, com base em boas práticas, legislação vigente e informações atualizadas da Receita Federal e de portais especializados.
Leia Também:
– Os 10 Melhores Redirecionadores de Compras dos EUA para o Brasil;
– Sales Tax nos EUA: quanto você paga em cada estado?;
– Tributação de Livros Vindos da Europa para o Brasil – Entenda.
Comprar sem entender a tributação brasileira

Um dos erros mais frequentes de quem está começando é acreditar que todo produto comprado no exterior será automaticamente mais barato, o que nem sempre é verdade.
A tributação de importados no Brasil pode incluir:
- Imposto de Importação (II): geralmente 60% do valor aduaneiro (produto + frete + seguro).
- ICMS: imposto estadual que varia, mas costuma ser em torno de 17% a 18%.
- IOF: se a compra for feita com cartão internacional, pode haver cobrança de 6,38%.
- Despacho postal (Correios): taxa fixa de R$ 15 para envios postais.
Esses valores podem tornar um produto importado mais caro do que um nacional, dependendo do caso. Por isso, é essencial estudar a carga tributária antes da compra.
🔗 Fonte: Receita Federal – Remessas Internacionais
Ignorar o custo total da importação
O segundo erro é não considerar o custo total da operação, limitando-se ao preço do produto.
O custo real da importação deve incluir:
- Preço do produto
- Frete internacional
- Seguro (se houver)
- Tributos e taxas
- Despacho aduaneiro (em casos mais formais)
- Câmbio e variação do dólar
📌 Dica prática: Sempre calcule o valor final já convertido para reais e inclua todos os encargos. Existem calculadoras online específicas para importação, como as da própria Receita Federal ou do site Importa Fácil dos Correios.
Confiar em fornecedores sem verificar procedência
Outro erro clássico: comprar de qualquer fornecedor internacional sem checar a reputação da empresa.
Isso pode resultar em:
- Produtos falsificados
- Mercadorias de qualidade inferior
- Atrasos ou até não recebimento do pedido
Ao comprar de marketplaces como AliExpress, Shein, Shopee ou Amazon internacional, é importante verificar:
- Avaliações e feedbacks de outros compradores
- Reputação do vendedor (nível, estrelas, comentários)
- Garantias de reembolso e política de devolução
No caso de importação para revenda, o cuidado deve ser redobrado: prefira fornecedores com certificações internacionais, histórico de exportação e canais de comunicação profissionais.
Não saber qual o melhor canal de importação
O Brasil permite diferentes canais de importação, e não conhecer as opções pode gerar problemas, especialmente em relação ao custo, prazo e liberação aduaneira.
As principais formas de importação para iniciantes são:
- Remessa postal comum (Correios) – indicado para pessoa física e compras pequenas.
- Courier (DHL, FedEx, UPS) – mais rápido, mas geralmente mais caro.
- Importação formal (via despachante) – exige CNPJ, RADAR, classificação fiscal, etc.
Cada modalidade possui regras, prazos e tributações diferentes. Escolher a errada pode gerar atrasos, multas ou retenções.
🔗 Veja mais sobre os canais em: Portal Gov.br – Modalidades de Importação
Importar sem conhecer as regras da Receita Federal
Ignorar a legislação é um erro sério e pode gerar problemas como:
- Retenção da mercadoria na alfândega
- Multas por irregularidades na declaração
- Perda do produto
Algumas regras importantes para iniciantes:
- Importações acima de US$ 50 podem ser taxadas com II e ICMS (a não ser que estejam no programa Remessa Conforme).
- É proibido importar medicamentos sem receita, produtos falsificados e itens que violem normas sanitárias.
- Compras para revenda exigem importação formal e CNPJ.
Estar atualizado com as normas da Receita Federal é obrigatório para qualquer importador.
Começar sem CNPJ e tentar escalar como pessoa física
É comum começar a importar como pessoa física, o que é aceitável para uso próprio ou pequenas quantidades. Mas muitos iniciantes cometem o erro de tentar escalar um negócio de revenda sem CNPJ, o que pode acarretar:
- Bloqueio de encomendas
- Excesso de fiscalização
- Impedimento legal para continuar operando
Se o objetivo for empreender, o ideal é:
- Abrir um MEI (caso o faturamento permita)
- Ou registrar um CNPJ regular
- Buscar o Radar Siscomex simplificado, se necessário
🔗 Saiba mais: Sebrae – Como importar legalmente
Deixar de calcular prazo e impacto logístico
Importar leva tempo, e um erro comum é subestimar o prazo de entrega. Compras internacionais podem levar de 15 a 60 dias ou mais, dependendo do país de origem, logística e modalidade de envio.
Se você está importando para revender, atrasos podem:
- Prejudicar seu capital de giro
- Quebrar o fluxo de caixa
- Impactar negativamente a experiência do cliente final
📌 Dica: monte um cronograma logístico básico com margem de segurança, especialmente em épocas de alta demanda (ex: Black Friday, fim de ano, Ano Novo Chinês).
Dicas práticas para quem está começando a importar corretamente
Para evitar os erros mais comuns, aqui vão dicas valiosas:
✅ Pesquise a legislação antes de comprar
✅ Comece pequeno, com produtos de baixo valor e fornecedores confiáveis
✅ Calcule o custo total da importação, incluindo impostos, frete e variações cambiais
✅ Acompanhe o rastreio e liberação aduaneira
✅ Use marketplaces com suporte ao consumidor e política de devolução clara
✅ Se for revender, regularize sua empresa e busque apoio de um contador ou despachante aduaneiro
Importar com planejamento e conhecimento pode abrir grandes oportunidades, mas exige responsabilidade e organização desde o início.
Conclusão
Entrar no mundo da importação é cada vez mais acessível, mas também exige atenção a detalhes que muitos ignoram no início. Os erros ao começar a importar podem custar caro, tanto em tempo quanto em dinheiro.
Por isso, informe-se, comece com prudência e busque sempre fontes confiáveis para tomar decisões. Quanto mais preparado você estiver, maiores serão suas chances de importar com sucesso, seja para uso próprio ou para montar um negócio sólido e escalável.



















